Descubra 6 motivos pelos quais crianças e adolescentes tem se tornado mais irritados

Crianças e adolescentes acelerados e propensos a sentir raiva, ou depressivos e apáticos tem se tornado comuns. É um fato perturbador, porém real, aos pais e responsáveis das novas gerações. Elas estão cronicamente irritáveis, em estado crítico de excitação anormal e podem parecer nervosas e cansadas. Ou seja, cada vez mais agitadas e exaustas, ao mesmo tempo. As jovens vítimas têm encontrado, também, dificuldades acadêmicas e sociais devido a essas taxas altas de agitação que impactam na memória e na habilidade de relacionar assuntos.

A certo ponto, uma criança com esses sintomas pode ter sua saúde mental diagnosticada com depressão, transtorno de bipolaridade ou TDAH. Além disso, podem ser oferecidos tratamentos correspondentes, incluindo terapia e medicação. Mas, geralmente, esses tratamentos não funcionam muito bem e os sintomas permanecem.

O que está acontecendo?

Pais e médicos podem estar equivocados ao tentar tratar o que parece ser um caso de doença mental, mas se esquecendo de regrar a causa mais comum desses sintomas: o uso diário de eletrônicos. Segundo o site Psychology Today é percebido que, independentemente de existirem diagnósticos “verdadeiros”, o tratamento mais bem-sucedido em uma criança com desregulação de humor, hoje, exige que se elimine, metodicamente, todo o uso de eletrônicos por várias semanas. Isto é, um “jejum eletrônico” para deixar o sistema nervoso “reiniciar”.

Foto: freepik

Se feito corretamente, essa intervenção consegue bons resultados, como sono mais profundo, humor melhor e mais regulado, foco e organização. Além de uma melhora nas atividades físicas. A habilidade de tolerar stress aumenta e, assim, os colapsos diminuem em frequência e gravidade. A criança volta a se divertir com o que ela costumava gostar, fica mais ligada à natureza, e as brincadeiras imaginativas e criativas retornam. Em adolescentes e jovens, observa-se um aumento no comportamento autodirigido – o contrário da apatia e do desespero.

É uma coisa bonita de se ver.

No mais, o jejum eletrônico reduz ou até elimina a necessidade de medicação, enquanto torna os outros tratamentos mais eficazes. Melhor sono, mais exercício, e mais contato cara-a-cara com os outros são alguns dos benefícios. Depois do jejum, quando o cérebro já reiniciou, os pais podem, cuidadosamente, determinar quanto cada criança pode utilizar os aparelhos eletrônicos sem que os sintomas voltem.

Foto: freepik

Restringir o uso dos aparelhos pode não resolver tudo, mas é, frequentemente, o que falta no tratamento daquelas crianças que estão presas no mundo virtual. Mas por que o método do jejum eletrônico é tão efetivo? Porque ele reverte boa parte das disfunções fisiológicas produzidas pelo tempo de tela diário.

O cérebro das crianças é muito mais sensível ao uso dos eletrônicos do que pensamos. Na verdade, ao contrário do senso comum, não é preciso muito estímulo eletrônico para um cérebro sensível e ainda em desenvolvimento apresentar problemas. Aliás, muitos pais acreditam, de forma errada, que o tempo passado em frente às telas interativas (internet, redes sociais, mensagens, e-mails, jogos) não é danoso, especialmente se comparado ao tempo passado assistindo TV. Contudo, a realidade é que os dispositivos são mais propensas a causar problemas de sono, humor, e cognitivos, porque é mais provável que elas causem hiperatividade e uso compulsivo.

Confira 6 mecanismos fisiológicos que explicam a tendência dos eletrônicos em produzir distúrbios de humor:

1- O tempo de tela interrompe o sono e dessincroniza o relógio biológico.

A luz da tela dos aparelhos eletrônicos tem o mesmo efeito da luz do dia e, por isso, suprime a melatonina, um sinal de sono liberado pelo escuro. Apenas alguns minutos em frente aos estímulos da tela são capazes de retardar a liberação de melatonina por várias horas e dessincronizar o relógio biológico. Uma vez que nosso relógio está perturbado, muitas outras reações nada saudáveis ocorrem, como desequilíbrio hormonal e inflamações cerebrais. Ainda, a agitação não permite o sono profundo, e o sono profundo é como nós nos curamos.

2- O tempo de tela tira a sensibilidade do sistema de recompensas do cérebro.

Foto: freepik

Muitas crianças estão “penduradas” nos eletrônicos. De fato, jogos virtuais liberam tanta dopamina – o que gera sensação de prazer – que na análise do cérebro, tem o mesmo efeito que o uso de cocaína. Mas quando os caminhos do sistema de recompensas são utilizados em excesso, eles se tornam menos sensitivos. Começam a exigir mais e mais estímulos para sentir o prazer novamente. Aliás, dopamina é prejudicial ao foco e à motivação, então mesmo pequenas mudanças na sensibilidade a ela podem causar estragos em quão bem uma criança se sente e funciona.

3- O tempo de tela produz o efeito da “luz-a-noite”.

Foto: Thinkstock

A “luz-a-noite” vinda dos eletrônicos tem sido ligada à depressão e até a riscos de suicídio, em diversos estudos. Uma pesquisa publicada na Advance Online Publication, da revista Nature, usou camundongos para demonstrar como as células especiais do olho são ativadas por luz brilhante, afetando o centro de humor do cérebro, memória e aprendizado. Esses resultados mostram que a exposição à luz artificial antes ou durante o sono causa depressão, mesmo quando o animal não está olhando diretamente para a tela. As vezes os pais são relutantes à restrição do uso de aparelhos eletrônicos no quarto das crianças porque pensam que isso causará desespero nelas. No entanto, retirar essas luzes do quarto são medidas protetivas.

4- O tempo de tela induz reações de stress.

Foto: freepik

Tanto stress agudo quanto stress crônico produzem mudanças químicas no cérebro, além de hormônios que podem aumentar a irritabilidade. Naturalmente, o cortisol, hormônio do stress crônico, parece ser a causa e o efeito da depressão, criando um ciclo vicioso. Ademais, ambas agitação e vias de vício suprimem o lobo frontal do cérebro, a área onde a regulação do humor realmente ocorre.

5- O tempo de tela sobrecarrega o sistema sensorial, quebra a atenção e esgota reservas mentais.

Acredita-se que o que geralmente está por trás da explosividade e agressividade é o pouco foco. Quando a atenção sofre, a habilidade de processar o ambiente interno e externo também sofrem. Assim, pequenas demandas se tornam grandes. Ao esgotar as reservas mentais com muito conteúdo visual e cognitivo, o tempo de tela contribui para abaixar tais reservas. Um modo de ajudar, temporariamente, essas reservas, é ficando bravo. Dessa forma, colapsos se tornam um mecanismo de cópia.

6- O tempo de tela reduz os níveis de atividade física e a exposição à natureza.

Pesquisas mostram que o tempo fora de ambientes fechados, especialmente quando interagindo com a natureza, podem restaurar a atenção, abaixar o stress e a agressividade. Um dos estudos iniciais de Roger S. Ulrich, professor de arquitetura na Chalmers University of Technology (Suécia), foi realizado em um hospital na Pensilvânia. Os resultados apontaram que pacientes que haviam sido operados e apresentavam o mesmo quadro clínico, quando colocados em leitos hospitalares que possibilitavam a visão da natureza através da janela do hospital, tiveram em geral menor tempo de internação pós-operatório, receberam menos comentários negativos na avaliação das enfermeiras e necessitaram de menor quantidade de analgésicos. O mesmo não aconteceu com pacientes que se encontravam em quartos com janelas com vista para uma parede do prédio vizinho. Os resultados dessa pesquisa sugerem que apenas um vislumbre da natureza pode possibilitar a recuperação do stress. O tempo gasto com eletrônicos diminuem a exposição a intensificadores de humor naturais.

Com todas essas informações, é possível ter uma noção do quanto podemos viver melhor se diminuirmos o uso de celulares, computadores e demais eletrônicos. Concorda? Discorda? Compartilhe acrescentando sua opinião!

Fonte: Psychology Today